O que são emoções?
As emoções são reações de curto prazo do corpo a diferentes situações que nos ajudam a responder ao mundo à nossa volta. Elas acontecem automaticamente e, muitas vezes, não temos controlo total sobre elas. As emoções podem ser desencadeadas por eventos externos (por exemplo, conversar com alguém, uma situação na escola) ou experiências internas (por exemplo, memórias, pensamentos).
Exemplos de emoções:
O papel das emoções na vida
- A emoção é uma reação física que sentimos no corpo, como alegria, tristeza ou medo.
- O pensamento é uma interpretação de uma situação, como «Não vou conseguir fazer isto» ou «Ele não gosta de mim».
Exemplo:
- ️ Pensamento: «Ninguém me compreende.»
- ️ Emoção: Tristeza, sentimento de solidão.
- ️ Reação: Perda de apetite ou desejo por algo doce para melhorar o humor.
As pessoas muitas vezes pensam que os seus pensamentos são emoções, por exemplo: «Sinto que não consigo lidar com isto.» Mas isso é, na verdade, um pensamento – a emoção pode ser o medo do fracasso.
ATIVIDADE INTERATIVA 17
A investigação sobre a relação entre a fome e os estados mentais tem sido normalmente realizada em ambientes laboratoriais ou entre indivíduos com distúrbios alimentares.
Rivaz et al. (2022) realizaram uma experiência para examinar como a fome e a alimentação afetam as emoções diárias em mais de 700 adultos. Durante uma semana, os participantes relataram os seus níveis de fome, ingestão alimentar e humor quatro vezes por dia.
Os resultados mostraram que a fome pode aumentar a sensação de energia e atividade, bem como melhorar o estado de alerta. As pessoas que estavam com fome relataram menos lentidão mental. Por outro lado, comer fez com que as pessoas se sentissem mais ativas no final do dia.
O estudo também descobriu que as emoções podem influenciar a fome: indivíduos que se sentiam enérgicos, animados ou inquietos tendiam a sentir fome mais rapidamente. Em contrapartida, aqueles que se sentiam distraídos ou mentalmente lentos sentiam menos fome.
Curiosamente, não foi encontrada nenhuma relação entre a fome e emoções negativas, como tristeza, ansiedade ou raiva. Isso sugere que a fome pode ter um efeito mais forte sobre os nossos níveis de energia e atividade do que sobre o humor negativo.
4.1. Uma breve história do cérebro emocional – a teoria do sistema límbico
Todos os organismos, mesmo os unicelulares, precisam responder ao seu ambiente para sobreviver. Por exemplo, as bactérias movem-se em direção aos nutrientes e afastam-se das toxinas. À medida que a evolução progrediu, os organismos multicelulares — especialmente aqueles com sistema nervoso — desenvolveram formas mais avançadas de responder ao seu ambiente.
Como se desenvolveu o cérebro?
Os vertebrados (animais com coluna vertebral) partilham uma estrutura cerebral geral semelhante, que consiste em três partes principais:
As diferenças na estrutura cerebral entre as espécies levaram ao desenvolvimento da teoria do cérebro trino no século XX. Essa teoria propôs que, com o surgimento dos mamíferos, o prosencéfalo sofreu uma expansão significativa. Novas estruturas evoluíram, como o neocórtex, que suporta processos mentais mais avançados, como aprendizagem, planeamento e, em humanos, linguagem.
Teoria do sistema límbico Paul MacLean
Em meados do século XX, o neurobiologista Paul MacLean propôs uma teoria sugerindo que o cérebro é composto por três camadas evolutivas:
1️. Cérebro reptiliano – a parte mais antiga do cérebro em termos evolutivos, responsável por funções básicas e comportamentos instintivos.
2️. Cérebro paleomamífero (sistema límbico) – responsável pelas emoções.
3️. Neocórtex (cérebro dos mamíferos superiores) – permite o pensamento racional e a regulação emocional.
De acordo com MacLean, o sistema límbico — que inclui estruturas como a amígdala e o hipocampo — ajuda-nos a sentir e a lembrar emoções. Ele acreditava que esse sistema desempenhava um papel central nas reações emocionais e as ligava a cheiros e memórias. MacLean argumentava que, ao longo da evolução, o neocórtex gradualmente começou a assumir mais controle sobre as emoções, permitindo que os seres humanos regulassem melhor os seus sentimentos e tomassem decisões racionais.
A teoria de MacLean estava correta?
Embora a teoria do sistema límbico tenha se tornado muito popular entre as décadas de 1950 e 1970, pesquisas posteriores demonstraram que ela não é totalmente precisa. Aqui estão as principais razões pelas quais os cientistas modernos se afastaram desse modelo:
As estruturas semelhantes ao sistema límbico não são exclusivas dos mamíferos.
MacLean acreditava que o sistema límbico era exclusivo dos mamíferos, mas pesquisas demonstraram que aves e répteis também possuem estruturas semelhantes — por exemplo, equivalentes ao hipocampo e à amígdala.
O hipocampo não é o principal responsável pelas emoções.
MacLean considerava o hipocampo fundamental para o processamento emocional. No entanto, pesquisas atuais mostram que o seu papel principal é na memória e na navegação espacial. A sua influência nas emoções é muito menor do que se pensava anteriormente.
O sistema límbico não funciona como um sistema único e unificado.
A teoria de MacLean propunha que o sistema límbico é uma unidade coerente responsável pelas emoções. Na realidade, as emoções não são controladas por uma única área do cérebro, mas sim por uma rede de regiões que trabalham em conjunto, incluindo o neocórtex.
O neocórtex está envolvido tanto no pensamento quanto nas emoções.
MacLean sugeriu que o neocórtex era o principal responsável pelo pensamento racional, enquanto as emoções eram controladas por regiões mais antigas do cérebro. No entanto, pesquisas atuais mostram que o neocórtex também desempenha um papel nos processos emocionais – por exemplo, ajudando a regular e interpretar respostas emocionais.
Como compreendemos as emoções no cérebro atualmente?
Hoje, os cientistas já não tentam explicar as emoções usando um único «sistema emocional», como proposto pela teoria do sistema límbico. Em vez disso, estudam emoções específicas e os seus mecanismos subjacentes no cérebro. Cada emoção envolve diferentes estruturas cerebrais, e as suas interações são muito mais complexas do que se pensava anteriormente.
O sistema límbico desempenhou um papel importante nos primeiros estudos sobre as emoções, mas não é o único responsável pela sua geração. Sabemos agora que as emoções surgem da cooperação de várias áreas do cérebro e que a sua regulação é mais complexa do que a teoria original supunha.
4.2. Comer por emoção vs. fome física
Como compreendemos as emoções no cérebro atualmente?
Nem sempre comemos porque estamos fisicamente com fome. Às vezes, recorremos à comida por outros motivos, como as emoções. A fome física é o sinal natural do corpo de que precisa de energia, enquanto a fome emocional é impulsionada pelos nossos sentimentos e humor.
As diferenças mais importantes estão apresentadas na tabela abaixo.
| Recurso | Fome física | Fome emocional |
|---|---|---|
| Desenvolve-se gradualmente? | ✅ Sim | ❌ Não – aparece repentinamente |
| Sentiu como contrações no estômago? | ✅ Sim | ❌ Não |
| Desaparece depois de uma refeição normal? | ✅ Sim | ❌ Não – ainda quer comer |
| Desejo por tipos específicos de comida? | ❌ Não – come-se o que está disponível. | ✅ Sim, principalmente doces e fast food. |
| Sente-se culpado depois de comer? | ❌ Não | ✅ Sim |
| Regulado pelo organismo? | ✅ Sim – controlado pelo cérebro e pelas hormonas da fome | ❌ Não – impulsionado pelas emoções |
Exemplo:
- Se estiver realmente com fome, poderá comer uma refeição saudável, como uma sanduíche ou uma salada.
- Se for fome emocional, você deseja algo específico, como chocolate ou batatas fritas.

A fome física desenvolve-se gradualmente, está ligada às necessidades reais do corpo e desaparece após a refeição.

A fome emocional surge repentinamente, cria desejos por alimentos específicos e não está relacionada com uma necessidade física.
Teorias sobre alimentação emocional – como as emoções influenciam o que comemos
Os investigadores identificam três abordagens principais para explicar por que as pessoas comem em resposta às emoções. Cada uma delas centra-se num mecanismo diferente (Reichenberger et al., 2020):
1️. Percepção dos sinais corporais (interoceção)
2️. Processos cognitivos
3️. Aprendizagem baseada em experiências passadas
1. Teoria psicossomática – confundir emoções com fome
De acordo com esta teoria, alguns indivíduos têm dificuldade em reconhecer com precisão os sinais do seu corpo. Isto significa que podem confundir estados emocionais com fome física. Por exemplo, quando sentem stress, tristeza ou ansiedade, o seu corpo reage com tensão, o que interpretam como fome – levando-os a comer (Reichenberger et al., 2020).
Exemplo:
Maria está a sentir-se stressada antes de um exame. Em vez de reconhecer que está tensa e ansiosa, ela pensa que está com fome e pega numa barra de chocolate. s já foi usado para explicar a obesidade, mas hoje os investigadores concordam que isso não explica totalmente o fenómeno. No entanto, o tema da consciência dos sinais do corpo ainda desempenha um papel importante na investigação nutricional.
2. Teoria da restrição – regras rígidas levam a comer em excesso
Esta teoria sugere que pessoas que seguem dietas muito rígidas são mais propensas a episódios de alimentação emocional. Quando alguém se proíbe de comer certos alimentos (por exemplo, «Eu nunca como chocolate») e depois quebra essa regra, pode pensar: «Já falhei, então mais vale comer mais». Isto é conhecido como o «efeito que se lixe» (Reichenberger et al., 2020).
Exemplo:
Tomek decidiu evitar doces. No entanto, na festa de aniversário do seu amigo, ele comeu um pedaço de bolo. Em vez de parar por aí, ele pensou: «Já que comi doces, mais vale comer o pacote inteiro de biscoitos». As emoções podem enfraquecer o controlo sobre essas regras, e é por isso que as pessoas que seguem dietas excessivamente rígidas muitas vezes têm dificuldade em mantê-las a longo prazo.
3. Teoria da aprendizagem – a comida como recompensa para o cérebro
Esta teoria explica que comer pode tornar-se uma forma de melhorar o humor. Se alguém aprendeu com experiências passadas que, por exemplo, o chocolate o faz sentir-se melhor, o seu cérebro começa a associar emoções negativas à alimentação. Como resultado, quando se sentir triste ou stressado no futuro, poderá automaticamente procurar comida – mesmo que não esteja fisicamente com fome.
Como funciona?
- Sempre que comemos algo saboroso, o cérebro recebe o sinal: «isto sabe bem!»
- Se comermos durante um momento de stress, o sentimento negativo desaparece temporariamente.
- O cérebro aprende que a comida ajuda a «derrotar» o stress, por isso, da próxima vez que uma situação semelhante ocorrer, ele nos leva a comer um lanche novamente (Reichenberger et al., 2020).
Exemplo:
Depois de um dia difícil na escola, Kasia sempre come gelado. Como resultado, o seu cérebro começa a associar gelado com sentir-se melhor e, da próxima vez que ela se sentir triste, automaticamente vai desejar gelado.
Isso explica por que é tão difícil quebrar o hábito de comer por motivos emocionais – o cérebro se acostuma com a recompensa proporcionada por alimentos saborosos.
A alimentação emocional está relacionada com as hormonas?
Algumas teorias também apontam para o papel das hormonas na alimentação emocional. O stress causa alterações nos níveis de cortisol, insulina e glicose, o que pode influenciar o apetite. Certos nutrientes também podem afetar as substâncias químicas do cérebro que melhoram o humor, o que ajuda a explicar por que comer pode trazer um alívio temporário (Reichenberger et al., 2020).
Exemplo:
O chocolate contém compostos que aumentam os níveis de serotonina – o «hormônio da felicidade». É por isso que muitas pessoas recorrem a ele quando se sentem tristes.
ATIVIDADE INTERATIVA 18
Por que comemos quando estamos tristes, entediados ou stressados?
As emoções influenciam a forma como comemos. A comida serve frequentemente como um mecanismo de defesa para lidar com as emoções, em vez de uma resposta às necessidades fisiológicas do corpo. Como é que as diferentes emoções afetam o nosso comportamento alimentar?
✔️ Tristeza – muitas vezes leva ao desejo por doces e alimentos ricos em carboidratos, que melhoram temporariamente o humor.
✔️ Tédio – geralmente leva a «comer por comer», mesmo quando o corpo não precisa de calorias.
✔️ Alegria – pode levar a comer em ambientes sociais e celebrações, o que às vezes pode resultar em excessos alimentares.
✔️ Raiva – pode causar alimentação impulsiva, com pouco controlo sobre a quantidade consumida.
Desmet e Schifferstein (2008) caracterizaram uma série de emoções que podem estar associadas ao consumo de alimentos. Os investigadores identificaram um total de 22 emoções, algumas das quais positivas, enquanto outras são negativas. Uma descrição detalhada dessas emoções relacionadas com alimentos é apresentada na tabela abaixo.
Emoções relacionadas ao consumo de alimentos. Fonte: Desmet & Schifferstein (2008)
| Emoções Positivas | Exemplo | Emoções Negativas | Exemplo |
| Satisfação | Sentir-se satisfeito após comer. | Tédio | Relacionado com dietas monótonas ou comer por tédio. |
| Prazer | Normalmente associado ao consumo de doces. | Deceção | Quando o sabor da comida é diferente do esperado. |
| Desejo | Frequentemente relacionado com a aparência ou o sabor dos alimentos. | Insatisfação | Comumente associado a alimentos consumidos fora de casa (por exemplo, em restaurantes) quando a qualidade está abaixo das expectativas. |
| Diversão | Frequentemente associado ao aspeto social da alimentação. | Repulsa | Pode ser sentido em relação a alimentos ou produtos alimentares específicos (por exemplo, miudezas). |
| Admiração | O sabor favorito aumenta a frequência de consumo. | Surpresa desagradável | Frequentemente no contexto de mau gosto ou baixa qualidade inesperados (por exemplo, comida estragada). |
| Excitação | Normalmente associado a alimentos energéticos (por exemplo, maçãs) ou cafeína. | Vergonha | Relacionado com comportamentos alimentares inadequados (por exemplo, comer massa ou lagosta de forma incorreta). |
| Surpresa agradável | Descobrindo um sabor inesperadamente bom. | Desprezo | Sentimento em relação a certos hábitos alimentares (por exemplo, consumir carne ou alimentos não saudáveis). |
| Alívio | Beber algo refrescante quando se está com muita sede (por exemplo, num dia quente). | Medo | Frequentemente associado a alimentos novos ou incomuns ou a preocupações com a segurança alimentar. |
| Admiração | Admiração pelo chef devido às qualidades sensoriais do prato. | Tristeza | Associado a alimentos consumidos durante experiências tristes. |
| Esperança | Frequentemente associado a doces ou ao apelo visual de um prato. | Raiva | Sentimento que se tem quando a comida não fica como esperado, apesar do grande esforço. |
| Orgulho | Orgulho em preparar um prato complexo ou demorado. | Ciúme | Inveja de outras pessoas que consomem produtos exclusivos (por exemplo, caviar). |
Por que comemos de forma diferente dependendo das nossas emoções?
- Quando nos sentimos tristes, muitas vezes procuramos conforto na comida – é por isso que tendemos a escolher doces e fast food, que provocam uma rápida liberação de dopamina (o «hormónio da felicidade»).
- Quando nos sentimos felizes, comer torna-se parte da celebração, muitas vezes em ambientes sociais, o que pode levar a comer porções maiores.
- Quando estamos steressados, o corpo ativa a resposta de «luta ou fuga» – isso pode suprimir o apetite em algumas pessoas, enquanto em outras aumenta o desejo por alimentos não saudáveis.
| Referências |
| de Rivaz, R., Swendsen, J., Berthoz, S., Husky, M., Merikangas, K., & Marques-Vidal, P. (2022). Associations between hunger and psychological outcomes: A large-scale ecological momentary assessment study. Nutrients, 14(23), 5167. https://doi.org/10.3390/nu14235167 Reichenberger, J., Schnepper, R., Arend, A. K., & Blechert, J. (2020). Emotional eating in healthy individuals and patients with an eating disorder: Evidence from psychometric, experimental and naturalistic studies. Proceedings of the Nutrition Society, 79(3), 290–299. https://doi.org/10.1017/S0029665120007004 Desmet, P., & Schifferstein, H. (2008). Sources of positive and negative emotions in food experience. Appetite, 50(2–3), 290–301. https://doi.org/10.1016/j.appet.2007.08.003 |
